domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pronto, desab(af)ei

Bem que me avisaram que seria difícil. Certo recreio, lá em Cruz Alta, puxei a Laize comigo e fiz ela tentar me explicar o quão difícil seria conviver com a saudade e uma vida nova. Tenho certeza que ela lembra. Lembro que ela me deixou bem claro que não era fácil, não. Ouvi, mas não dei tanta importância. Sempre fui dessas de acreditar que a dor ou qualquer outra dificuldade é psicológica. O fato é que ela tinha razão.Na verdade, eu também tinha: é claro que é psicológica!
Ouvi dizer também que a não existe sucesso ou realização profissional sem que passemos por sacrifícios. No meu caso, aprender a conviver com a dor é fundamental. Não foram poucas as vezes que ouvi: "Bailarino tem que aprender a conviver com a dor". A dor física eu já estava preparada, mas confesso: a emocional me pegou de jeito.
Não sei definir com clareza o que sinto. Talvez sejam mesmo os tais sintomas de saudade. Sinto falta da minha casa, das minhas pessoas, do meu 2009.
Não sei fazer amizades baratas. Não sou corajosa o bastante pra sair por aí. Tenho medo. Muito medo. Sinto falta, muita falta.
Mas, como tudo que é bom dura pouco, tudo que é ruim deve durar pouco também. E é aí que eu me vejo satisfeita por ser bipolar. A crise bate, mas não permanece. E, quando permanece por um tempo um pouco a mais que o normal, começa a me preocupar. Por exemplo, agora.
Vejo mil motivos pra chorar. De repende, já lembro de outros mil pra sorrir. Precisava equilibrar isso, não achas?
A única coisa que sei é que não quero me acostumar. Ora me acostumar com uma coisa ruim dentro de mim! Quero vencer essa coisa ruim! Queria ser mais guerreira para combate-lá.
O que mais me consola é pensar que não posso viver por comparação. Não posso comparar minha vida de um mês atrás com minha vida atual. Mas é impossível acabar não fazendo isso. O meu azar (ou sorte) foi que os meus últimos meses/dias antes de vir pra cá foram bons demais, intensos demais, felizes de mais. Eu não sabia o que era dor a muito tempo.
Então, com esse texto todo desconfigurado e feio, deixo expresso o meu medo de não estar vivendo o presente intensamente. E, mais do que isso, deixo avisado: se nossos sacrifícios não forem proporcionais ao nosso futuro sucesso, me avisem logo! Antes que seja tarde demais.

OBS.: Agora preciso correr atrás de um bom texto pra passar por cima desse daqui. Nem sei porque eu publiquei. Acho que essa vida de "bailarina de verdade" tem me tornado corajosa. Opa, que coisa boa de se ler!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sem (ou com) sentido

Sem ter nem ao menos razão o texto surgiu. Não fala de nada especificamente. Talvez sejam apenas várias letrinhas, constituindo palavras que dançam numa melodia diferentemente estranha.
Tenho sentido estranhamento em relação a muitas coisas e pessoas. Tenho sentido saudade. Tenho me satisfazido com lembranças e expectativas.Talvez o meu presente esteja meio sem sentido. Ou quem sabe, seja hoje a época que mais fazer sentido lá na frente.
Meu sexto sentido está prestes a surgir ou quem sabe sumir. Está em transformação. Rodeada de coisas, não digo novas, mas estranhas. Decidi que não quero amizades baratas, falsidades e distrações. Ao mesmo tempo, não decidi nada. Percebi que eu fui feliz e posso estar deixando essa felicidade escorrer por água abaixo. Me questionei se vou aceitar os termos de uso. Me peguei pensando se quero isso mesmo. Me vi superando e crescendo. Me vi esperta e criativa. Não só me vi. Vi outros também. Senti, do mais profundo olhar, estar observando as pessoas e como elas interagem enquanto eu assisto. Senti sorrir. Senti doer.
De repente, tudo parece sem sentido. Todas as palavras, pessoas e acontecimentos. Sem eu ao menos ter sido como eu poderia ter fingido ser. Tenho sentido diferentes vibrações. Falta descobrir se são boas ou ruins. Se fazem sentido ou não.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ballet clássico para bailarino contemporâneo. Pra quê?

 


O povo do contemporâneo questiona. E, após poucas aulas de ballet clássico, o próprio corpo responde ao questionamento.
Há companhias de dança que buscam bailarinos desvinculados das limitações do ballet clássico. Há também algumas que buscam pessoas que nunca dançaram, a fim de obterem criações sem vícios e, por isso, com uma pré disposição para inovações. Mas, não há quem negue, a grande maioria das companhias de dança contemporânea do Brasil e do mundo exigem bailarinos com uma base clássica fundamental, para, a partir dela, fazer uso de corpos bem trabalhados.
O ballet clássico, através de sua aula sistemática e disciplinada, dá a limpeza e técnica necessária ao bailarino contemporâneo para desenvolver, com qualidade, uma desfragmentação deste sistema, propícia à comunicação corporal que se quer estabelecer. O verdadeiro exercício da repetição. E, a cada nova aula, articulações mais lubrificadas e músculos mais flexíveis.
"Fundamental" seria a palavra que melhor descreve o papel da aula de ballet clássico no corpo de um bailarino contemporâneo. Porém, como tudo que é contemporâneo está sempre em constante discussão e mutação, é preciso ter vários cuidados.
Segundo Laban, a diferenciação das modalidades de dança devem-se provavelmente aos hábitos de trabalho dos períodos em que surgiram ou foram criadas. O ballet clássico provém do gestual nobre, luxuoso e magestral da época em que começava a ganhar espaço. Época de Luiz XIV, na qual houve a inspiração num vestuário e estilo de extrema nobreza, inspirado nas impressões daquele tempo. Suas posições e sistemas também podem ser explicados através do que acontecia naquele determinado período. Por exemplo: "O “En Dehors” (para fora), posição em que o bailarino apresenta-se com as cochas, joelhos e pés girados para fora da linha central do corpo, fazendo uma rotação externa da articulação coxo-femoral, foi criada quando o balé de corte começou a ser levado para os palcos italianos, em que a platéia assistia ao espetáculo de frente, e não mais como nos salões reais, sobre as bancadas e camarotes, vendo-os de cima. Então, para que o artista nunca se coloque de costas para o público, composto de nobres e convidados, cria-se esta posição aberta que ao dançar de uma diagonal a outra se evita ficar de costas para o público". (Site InfoEscola)
Já a dança contemporânea surgiu a partir de uma rebelião, como forma de protesto e busca por novos experimentos de uma sociedade a fim de inovações. Em plena década de 50, ela surgiu e se desenvolveu buscando acompanhar seu tempo, a partir de novos segmentos e propostas de criação. Dentro disso, podemos lembrar a forte referência chamada industrialização, que, voltando ao pensamento de Laban, pode ter sido uma grande influência ao modo contemporâneo de se movimentar.
Ou seja, apesar de o bailarino contemporâneo ganhar muito com a técnica clássica é preciso saber distinguir uma coisa da outra. Ballet clássico é ballet clássico. Dança contemporânea é dança contemporânea. A diferença começa pelo contexto histórico e intencional e deve ser visível corporalmente.
Então, bailarinos contemporâneos, aí vai meu clamor: que o ballet clássico seja sempre bem vindo em nosso instrumento de produzir arte e que aprendamos a aceitar ele de forma bem vinda e constante. Porém, que saibamos ter o controle dele em nossos corpos, para podermos desconstruí-lo de forma criativa e qualificada.
Traduzindo em palavras o que o corpo nos responde a partir do tal questionamento: ballet clássico para bailarino contemporâneo é para que possamos dominar a técnica e não para adotar ao vocabulário. Um vocabulário que deve se utilizar com consciência da técnica clássica, mas não se limitar a ela.


Obs.:Sendo assim, a partir deste texto e de uma sugestão da minha atual professora de clássico, Germana Saraiva, declaro paz entre a Kauane e a as aulas de ballet clássico! Uma paz produtiva, consciente, movida à superação e, se não for pedir muito, duradoura.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Às minhas verdades

A vida dá voltas. Mudam as estações, o clima, os perfumes. Mudam os sabores, cores, aromas. Muda o jeito de caminhar, de falar e sorrir. Mudam os gostos e as sensações. O que antes era bonito agora se torna horroroso. O que antes era feio agora pode ser revisto com outros olhos. Os que amam, agora odeiam. E o que odeiam passam a criar dentro de si próprio um amor desconhecido, mas bem vindo.
Ficam as lembranças, as vivências, os momentos. De acordo com a memória seletiva de cada um, tudo aquilo que não prestou é varrido, sem dó nem piedade.
Mas, algumas coisas são feito cola. Grudam em nossos pensamentos e não tem quem as tire. Estas colas são chamadas por mim de “verdades”. Pois o que fica são aquelas coisas que foram incorporadas em nós de maneira verdadeira.
Ou seja, ficam apenas as verdades.
E, agora, para aliviar a falta que sinto, deixo um recado às minhas verdades. Àqueles que são verdadeiros e superam qualquer volta que a vida ousa dar. Porque as verdades ficam. Ah, se ficam! Permanecem e me fazem transbordar lembranças, aromas e sensações que elas me oportunizaram sentir em algum momento.
Sendo assim, minhas verdades...sintam-se lembradas, honradas, amadas e, antes de tudo, permanecidas no meu pensamento, a cada nova volta da vida.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Dos sonhos aos desafios

Meus textos tem sido mais sérios. Daqueles de entregar pro professor, sabe? Por isso, nem tem dado tempo de postar. Mas, mesmo meio sem tempo, queria deixar registrado aqui, que estou bem, estou feliz!
Nada é fácil por aqui. E olha que ainda não falo da saudade. Falo do processo de adaptação, do calor, das aulas.
Tive a sorte de poder encontrar pessoas super receptivas. Mas, apesar de educadas e dispostas a ajudar, o pessoal é muito bom em relação à arte que produzem. O que significa, que preciso correr realmente atrás. Transformar sonho em realidade. Escolha em desafio.
São aulas de:
*dança contemporânea com a bailarina que sempre quis conhecer e que agora se mostra uma professora atenta, consciente e verdadeiramente humana;
*teoria musical, em que apenas relembro, por enquanto, coisas que já sei;
*teoria da dança que vai me fazer estudar, neste primeiro momento, a evolução da dança através da história social mundial seguido dos ballets de repertório mais famosos;
*aulas de teatro com uma professora maravilhosa, que sensibilizam, fazem sentido e causam grandes efeitos para quem quer dançar entendo causas e objetivos e, acima de tudo, sentindo estas causas e objetivos através do abstrato, ou não;
*aulas de dança popular que, apesar de novas para mim, me farão conhecer o lugar onde vivo, meu país e seus costumes representados corporalmente.
*aulas de ballet clássico com uma professora super detalhista viciada em en dehors que nos faz sair da aula feitos verdadeiros "curupiras". Apesar de não muito bem vindas prazeirosamente no meu corpo, estas aulas me fazem crescer e produzir a força e limpeza necessária.
São desafios postos em cena. Colegas caminhando comigo, apesar das inúmeras diferenças. Professores me lapidando literalmente. Público, família, amigos, conhecidos acreditando no desvendamento destes desafios. E os desafios surgindo, ampliando, surpreendendo. Eles estão aí. Basta devorá-los, com garras e dentes. Com corpo e alma.